Sociedade Brasileira de Infectologia indica abandono da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19

Foto: George Frey/REUTERS

Um novo posicionamento divulgado nesta sexta-feira (17) pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) afirma ser urgente abandonar o uso da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19. A SBI citou estudos publicados na quinta-feira, 16, para alertar que a droga deixe de ser utilizada por pacientes em qualquer fase da doença, inclusive na sua prevenção.
A SBI avalia que “dois estudos clínicos robustos” publicados em “revistas médicas prestigiosas” avaliaram o uso do medicamento no tratamento precoce. Os estudos comprovaram que a droga não foi eficaz e ainda trouxe complicações aos pacientes.
Diante dos novos estudos, a entidade lista como “urgente e necessário”: “Que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da Covid-19”, que “os agentes públicos, incluindo municípios, estados e Ministério da Saúde reavaliem suas orientações de tratamento, não gastando dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes e que podem causar efeitos colaterais” e “que o recurso público seja usado em medicamentos que comprovadamente são eficazes e seguros para pacientes com covid-19 e que estão em falta”.
Na contramão da ciência
Na quinta-feira (16), o Ministério da Saúde enviou um ofício à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pedindo que a instituição indique e promova amplamente no SUS o tratamento com uso de cloroquina e hidroxicloroquina para pacientes de covid-19, já nos primeiros dias de sintomas.
O ofício, que também é endereçado ao Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e ao Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, foi assinado pelo secretário de Atenção Especializada à Saúde, Luiz Otavio Franco Duarte.
O documento diz que a medicação faz parte de estratégia do Ministério da Saúde para reduzir o número de casos que cheguem a necessitar de internação hospitalar.
A recomendação pelo uso da hidroxicloroquina, no entanto, vai contra as evidências científicas, que até agora mostraram que as drogas não só não possuem benefício contra a doença, como também podem agravar quadros de pacientes internados e causar a morte.