MP investiga mortes de pacientes em estudo que testou uso da cloroquina no Amazonas


Foto: Foto: Reuters/Yves Herman

O MP-AM (Ministério Público do Amazonas) abriu um procedimento investigatório criminal para apurar eventual responsabilidade penal pelas mortes de pacientes que participaram dos testes do estudo ‘CloroCovid-19’.
A pesquisa realizada em abril deste ano para testar o uso da cloroquina no tratamento de coronavírus contou com a participação de 81 pessoas internadas em estado grave no Hospital Delphina Aziz, das quais 11 morreram.
O promotor de justiça Edinaldo Aquino Medeiros, que assina a portaria publicada nessa segunda-feira, 22, no diário do MP, solicita que em dez dias a Fundação de Medicina Tropical, o Hospital Delphina Aziz, o médico responsável pela pesquisa Marcus Vinícius Guimarães Lacerda e a Comissão Nacional de Ética e Pesquisa enviem os documentos e informações solicitadas.
Edinaldo Medeiros requisita ainda que no mesmo prazo a Procuradoria da República no Município de Bento Gonçalves (RS) compartilhe a documentação do inquérito civil 1.29.012.0001052020-16, instaurado pela portaria nº 40, de 20 de abril deste ano, cujo objeto tem relação direta com procedimento aberto pelo MP do Amazonas.

Foto: DPE-AM/Divulgação

A pesquisa intitulada “Difosfato de cloroquina em duas doses diferentes como terapia adjuvante de pacientes hospitalizados com síndrome respiratória grave no contexto de infecção por coronavírus (SARS-CoV-2): Resultados preliminares de segurança de um ensaio clínico de fase II b randomizado, duplo-cego CloroCovid-19 Estudo” usou o medicamento cloroquina 150 mg no procedimento.
O promotor afirma que os pacientes submetidos ao estudo foram acompanhados pela equipe de pesquisa por 28 dias após o início da medicação, dos quais 11 morreram, situação acompanhada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.
Diz ainda que a pesquisa foi realizada no Hospital Delphina Aziz, com financiamento do Governo do Amazonas, coordenação pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), participação da Fundação de Medicina Tropical e da Universidade do Estado do Amazonas.
De acordo com o pesquisador Marcus Lacerda, quando divulgou o resultado da pesquisa, os pacientes foram divididos em dois grupos, com um recebendo uma dose de cloroquina mais alta. A conclusão foi que a dose maior levou mais pessoas a internação e a dose menor diminuía o risco de morte dos pacientes.
Apesar dos óbitos, os pesquisadores concluíram que taxa de morte em pacientes com sintomas graves da Covid-19 que estavam fazendo uso da cloroquina no estudo era menor que em outros países, nos pacientes internados no mesmo estado de saúde que não usavam o antiinflamatório. No Amazonas foi de 13% e nos demais países, a porcentagem era de 18%.

Fonte: amazonasatual.com.br