Esperando julgamento: 22 dos 55 mortos em massacre em presídios de Manaus

0
1830

Dos 55 presos mortos em presídios de Manaus, no final de maio, 22 eram detentos provisórios e ainda aguardavam uma sentença judicial para seus casos, de acordo com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap).
O número corresponde a 40% do total de vítimas dos confrontos dos dias 26 e 27 de maio, em quatro diferentes presídios de Manaus. Em 26 de maio, 15 detentos foram mortos no Compaj ( Complexo penitenciário Anísio Jobim), sob ordem da FDN ( Família do Norte), no dia seguinte, mais 40 no próprio Compaj e em mais três unidades prisionais na capital.
A maior parte dos detentos provisórios que morreram estava no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Dos 25 detentos executados, 15 aguardavam julgamento.
A Seap repassou uma lista atualizada dos mortos, no levantamento, a secretaria detalha nome, idade, crimes e status do processo de cada detento morto no massacre. São, segundo o órgão, 33 condenados e 22 provisórios.
No Amazonas, 45,2% dos presos são provisórios (ainda não foram julgados), segundo números de 2019 do Monitor da Violência. O índice é superior à média nacional, de 35,9%.
A maioria das 55 vítimas do massacre morreu de asfixia ou golpeada por objeto perfurante. O massacre é o segundo ocorrido no Amazonas em menos de 3 anos. Esses novos confrontos ocorreram por causa de uma briga de poder dentro da Família do Norte (FDN), que age nos presídios do Norte e Nordeste do país e domina a rota do tráfico no rio Solimões. Segundo o juiz Glen Machado, titular da Vara de Execução Penal, “Não se trata de rebelião, mas de disputa interna da FDN”.
Situação atual
Desde as recentes mortes, na última semana, quatro unidades prisionais estão com as visitas suspensas por, pelo menos, 30 dias. Durante os últimos dias, além da transferência de dois grupos de detentos para presídios de segurança máxima no país, o estado conta com reforço de agentes de intervenção penitenciária. A medida foi um pedido do governador ao Governo Federal.
Segundo um relatório feito pela Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados do estado, policiais do Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) demoraram a chegar em três dos quatro presídios para evitar as mortes por conta do número insuficiente de efetivo.
Uma semana após as mortes, dois corpos ainda não foram liberados pelo IML de Manaus. Segundo a Seap, em ambos os casos serão feitos exames de arcada dentária e de DNA para identificação. O resultado deve ser divulgado em até 30 dias. Somente depois disso os corpos serão liberados.
Por conta desses violentos episódios, as ruas de Manaus tiveram reforço no policiamento.