Quanto mais perto, mais difícil de enxergar – Júlio Sergio Aires

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Parece estranho, mais ultimamente, pelos no futebol, quando se trata de arbitragem, ou melhor, do quinteto composto por um árbitro principal e quatro assistentes (dois com bandeiras nas mãos e dois sem), parece que quanto mais perto, mais difícil de enxergar. Talvez, alguns deles realmente, não queiram enxergar o que centenas de torcedores presentes nos estádios e milhares que assistem pela TV conseguem ver de forma muito clara e não tem dúvida em afirmar que tal lance foi pênalti, falta, toque de mão e outros.
Os dirigentes, especialistas e outros ligados ao mundo do futebol, veem tentando há anos reduzir os muitos erros cometidos pelos árbitros de futebol (os juízes como eram conhecidos no meu tempo de jovem torcedor e testemunha ocular das pisadas na bola ocorridas seja no Estádio Arlindo Brás, no Vivaldo Lima ou em diversos estádios do Capital e do interior de São Paulo)
Entre as muitas tentativas, lembro aqui algumas: Bandeiras ou assistentes, como os modernos comentaristas esportivos gostam de chamá-lo passaram usar uma bandeirinha com um dispositivo que ao ser acionado gera um beep e vibração no aparelho de escuta dos árbitros, afim de alerta-los, de que algo errado aconteceu. Não deu muito resultado, talvez em razão da vergonha (ou falta de humildade) de muitos dos árbitros que preferem não reconhecer que errou e prefere bater no peito (gesto conhecido como puxar a marcação para si) e fazer valer a hierarquia da arbitragem.
Depois resolveram que o melhor seria aumentar o número de auxiliares, consequentemente, a despesa com a arbitragem, enterrando o trio e colocando em campo o quinteto, responsável por fazer cumprir as regras, algumas ultrapassadas, do futebol. Ai a coisa parece que ficou pior.
Caso tenha dúvida é só assistir nos estados ou pela TV os jogos de futebol do Brasileirão, seja da série A, B ou C ficando atento, principalmente, naqueles dois seres humanos (auxiliares), geralmente bem vestido e penteado, que ficam próximo as traves, que na maioria das vezes são personagens extremamente visíveis nas imagens repetidas por diversas vezes durante as transmissões dos jogos e nos programas esportivos. Esses auxiliares, testemunham muito de perto tudo o que acontece no interior das pequenas áreas, apesar disso, quase sempre não estão conseguindo enxergar, marcar ou indicar ao árbitro principal, a quebra de regras fundamentais do futebol, como aquele que indicam a marcação de pênaltis.
O que tem me deixado perplexo, surpreso e muito desconfiado, é quando vejo o replay da jogada pela TV e constato que o dito auxiliar encontra-se a alguns metros do local onde tudo aconteceu e tem coragem de dizer a jogadores e ao seu colega (arbitro principal da partida) que o “lance foi normal” sem falta, contrariando o que milhões de pessoas viram nos estádios e pela TV e que na maioria das vezes são confirmadas por ex-arbitros que atuam como comentarista, em diversos canais de comunicação.
Se você nunca viu isso, faço o convite para ligar a TV e assistir uma partida de futebol, de qualquer série do Campeonato Brasileiro. De preferência, fazendo a opção de ficar de olhos (um ato de sacrifício) nos homens e mulheres que compõem o quinto vestido e amarelo, azul, preto ou qualquer outra cor.
A última tentativa para pelo menos diminuir as pisadas na bola, denominada de VAR (o árbitro de vídeo) fica pra próxima.

Júlio Sérgio Aires