Opinião – Não me pergunte quem sou

camaleão

A frase “Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo” é do teórico social, filólogo e crítico literário Michel Foucault (Paris, 1926), que muito influenciou acadêmicos e ativistas, com suas reflexões entre poder e conhecimento.
Confesso que não entendo direito as ideias desses caras chamados de filósofos, sociólogos, e outros “logos”, mas, gosto de refletir, ‘abelhudar’, contestar, diria até ‘filosofar’!
E ‘filosofando’, fico a me perguntar qual a necessidade de se criar tantos dias no Brasil. Dia disso, dia daquilo, dia daquilo outro e por aí vão picotando o calendário, muito embora, a chamada Carta Cidadã já tenha definido que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza…” (Art. 5º, CF).
É bem verdade que existe uma justa, necessária e crescente preocupação em se promover o resgate de uma dívida do Brasil e do mundo com determinados segmentos, historicamente massacrados, ou no mínimo, abandonados pelas instâncias oficiais.
Nesse sentido, a frase de Michel Foucault, “…não me diga para permanecer o mesmo”, faz todo o sentido. Ninguém, independente de origem, deve permanecer o mesmo, apequenar-se ou diminuir-se diante desse ou daquele abestalhado que se acha melhor, maior ou em posição superior.
Heráclito, um dos filósofos pré-socráticos, já dizia que “ninguém se banha no mesmo rio duas vezes”, acho que querendo dizer que o rio pode até ser o mesmo, mas, as águas já serão outras. Ninguém tem que ser “mais parado do que água de pote”, conforme a profunda e aquiescente filosofia popular.

Elias Pereira – Humaitá (AM)

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