Crianças indígenas Venezuelanas vivem como pedintes no centro de Manaus

venezuelanosCrianças venezuelanas, com idade entre 2 e 11 anos, estão vivendo de mendicância nas ruas do Centro de Manaus, elas ficam atentas a cada sinal vermelho e se arriscam entre um carro e outro. As mães e avós ficam nas calçadas, com os menores, também pedindo ajuda financeira.
Maria Perez, 30, disse que veio da Venezuela com os cinco filhos, um deles ainda de colo, e há uma semana tem alimentado a família com a mendicância dos filhos e dela própria. Ela e a filha, de 2 anos, estão com catapora, o menor passa por uma forte gripe.
As famílias usam os quartos de hotéis para dormirem, mas segundo Perez, o dinheiro, muitas vezes, não dá para alimentar a todos.
Do outro lado da avenida, Érica Perez também está com uma caixinha na mão pedindo moedas, o filho se encontra na mesma situação.
Mesmo com todas as dificuldades, Érica diz que não quer voltar para o País de origem. A pobreza, a falta de emprego e de comida a fizeram partir em direção ao Brasil. Para a venezuelana, a situação do País não vai melhorar.
Ajuda
Intercalando brincadeiras com o ofício de pedinte, as crianças enchem os bolsos de moedas. O auxiliar administrativo João Victor Borba, 32, afirma que ajudar é um dever.
“Umas moedas não fazem diferença, hoje, para mim, mas para eles significam muito. Acho muito triste ver as crianças aqui o dia inteiro pedindo. Todas sujas, imagino que nem tomar café tomaram”, disse.
O auxiliar tinha razão, Jocaine, 12, Jordy, 10 Reino, 5, Freire, 7, e Laura, de 6 anos, informaram que a última refeição tinha ocorrido no dia anterior, uma sopa. Questionados se eles gostam de estar ali, todos responderam que é divertido. Freire respondeu que estava com fome, mas preferia uma sandália.
A vendedora de cosméticos Flávia Cortez, 38, disse que passa todos os dias pelo local e se preocupa com a segurança das crianças. “Eu sei que a situação é difícil para eles (os adultos), mas as crianças não têm culpa, não deveriam estar no sinal”, disse.
Saúde
O grupo de crianças que estava nas vias do Centro, no fim de abril, apresentava, segundo as mães venezuelanas, sintomas de catapora, gripe e diarreia. Para tentar evitar o agravo das doenças, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que uma ação de saúde com os índios venezuelanos foi realizada no último dia 25.
A escovação dentária supervisionada, o censo vacinal e a atualização do cartão de vacina, a oferta de teste rápido para sífilis, hepatites, HIV e tuberculose, além de exames dermatológicos para detecção de doenças da pele; redução da carga parasitária em adultos e crianças; consultas médicas e encaminhamento e acompanhamento dos casos agudos à Rede de Atenção em Saúde (RAS) foram realizados no atendimento, segundo a Semsa.
De acordo com o coordenador do Programa Consultório de Rua, Jailson Barbosa, afirma que a ação de saúde aos indígenas venezuelanos acontece de forma contínua. “Desde o mês de janeiro, a secretaria vem fazendo a ação de saúde aos indígenas venezuelanos que se encontram na rodoviária e no Centro. Tivemos que intervir no controle e monitoramento de doenças parasitárias, infecção de pele, escabiose, conhecida popularmente como sarna, e pediculose, conhecida como piolho”.
A coordenadora de Imunização do município, Isabel Hernandes, disse que devido à vulnerabilidade e a baixa imunidade dos indígenas todos serão vacinados. “Alguns deles têm cartão de vacinação. Mas, devido à vulnerabilidade e as baixas condições de saúde temos que vacinar todos para garantir que eles não contraiam novas doenças”.
A Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) informou à REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO que o órgão aguarda um posicionamento do Ministério Público Federal (MPF-AM) para as próximas ações.
D24

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