Plantas alimentícias não convencionais são utilizadas em culinária amazonense

bistroEm meio à floresta, há inúmeras espécies comestíveis, oleaginosas, medicinais e corantes. Das 100 mil espécies vegetais presentes na América Latina, cerca de 30 mil estão na Amazônia.
O chef Ramiro Hitotuzi, a partir de um conceito conhecido como ‘panc’, que prega o uso de plantas alimentícias não convencionais comestíveis na gastronomia, utiliza algumas espécies, cheias de propriedades para engrandecer não só a culinária local, como cozinhas historicamente tradicionais.
Como exemplo de uma de suas experimentações, o chef aponta o molho não-convencional da pizza que ele serve no bistrô. “Eu fiz uma substituição do tomate na pizza pela melancia. Ao invés de comprar um tomate, por exemplo, que não é produzido aqui e, por isso, chega com um preço alto, eu posso comprar uma melancia, que custa R$ 5, comer metade no café da manhã, fazer um suco e ainda fazer vários molhos”, conta Ramiro.
O incentivo econômico soma, ainda, a outra faceta que, para o chef Ramiro é essencial: a cultura local. “O amazonense tem essa coisa de não valorizar o que é dele e a gente vive isso na gastronomia”, reflete.
“Nós temos, aqui, aquela cultura das plantas, a benzedeira, que é uma tradição oral que, se a gente olhar para o horizonte, já estamos perdendo. Acaba que a gente tem mais de 20 mil plantas comestíveis e a gente só usa em torno de 20 delas. E, como tudo no universo, se você para de usar aquilo, ele vai acabando, criando uma deformação no DNA, que vai começando a se tornar outra coisa. E, por enquanto, a gente está tendo a oportunidade de usar essas plantas, frutas e raízes. Nós temos alimentos maravilhosos, como o cubiu, o cará roxo, o tucumã, que, tão comum nessa região, é considerado um ‘panc’ para as pessoas de fora ”, completa o chef Ramiro.

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