PSDB se irrita com sinal de que Temer possa se candidatar em 2018

temereaecioO partido decidiu acompanhar com lupa todas as medidas adotadas agora pelo presidente interino, Michel Temer. Os tucanos entendem que esse será o melhor termômetro para mensurar, na prática, as intenções do peemedebista de se colocar como candidato à Presidência em 2018.
Integrantes da cúpula do tucanato falaram sobre o assunto na terça-feira (2), em almoço no gabinete do senador Tasso Jereissatti (PSDB-CE).
A conversa ocorreu no esteio das revelações de que aliados de Temer já projetam um cenário em que ele, conquistando bons índices de aprovação popular, dispute a eleição em 2018.
O interino desautorizou publicamente essas especulações, mas os tucanos elegeram outro termômetro como principal fonte para medir o apetite político de Temer: sua agenda no Legislativo.
Segundo um integrante da cúpula do partido, se o interino “começar a jogar para frente” projetos estruturantes e complexos, como a reforma da Previdência, haverá aí um forte sinal de que ele sucumbiu a uma pauta eleitoreira.
Durante o almoço desta terça, senadores do PSDB chegaram a dizer que o partido “deu a Presidência a Temer”, e agora ele precisa “dar um governo ao Brasil”. Se não for assim, diz um integrante da cúpula do partido, o PSDB estará “fora”.
Ciente das desconfianças que as especulações sobre uma possível disputa à reeleição causaram no ninho tucano, Temer propôs um encontro com os principais nomes do partido, um jantar, na própria terça. A agenda de votações do Congresso, entretanto, fez com que a conversa fosse adiada. Ela deverá acontecer na próxima semana.
Reeleição de Temer deixa de ser tabu no governo
Aos menos três ministros proeminentes do presidente interino mencionam, em conversas reservadas, o nome de Michel Temer (PMDB) para disputar a eleição de 2018 no caso de êxito de sua gestão na confirmação do impeachment de Dilma Rousseff.
O assunto é tratado nos bastidores e com discrição, por dois motivos. Primeiro, Temer ainda não superou o período de interinidade, status que só perderá se o Senado decidir pela condenação da petista.
Outro ponto está na animosidade de partidos hoje fundamentais à estabilidade do novo governo com o tema.
Para atrair à sua base de apoio siglas como PSDB, DEM e PSB, Temer se comprometeu a não disputar a reeleição em 2018. Inclusive, às vésperas da apreciação do afastamento de Dilma na Câmara, sinalizou que poderia formalizar sua intenção enviando ao Congresso uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) propondo o fim da reeleição no Brasil.
Mas a avaliação corrente entre aliados e assessores do peemedebista é a de que, caso ele consiga emplacar marcas e melhorar a avaliação do governo até 2018, estará naturalmente credenciado para disputar a reeleição, mesmo que hoje não admita isso publicamente.
Imagem
Um grupo que atua para nortear a comunicação de Temer e do PMDB prevê que, só com o fim do processo de impeachment e a possível afirmação dele como titular do Planalto, ele consiga melhorar no curto prazo sua avaliação positiva entre cinco e oito pontos percentuais –segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada este mês, só 14% consideram a gestão do interino ótima ou boa.
Nos cálculos de aliados, a eventual candidatura ganhará força se o peemedebista conseguir elevar a mais 50% a aprovação ao governo nos próximos dois anos.
Nesse cenário, o nome dele poderia ser apresentado por integrantes do próprio governo e do PMDB como uma alternativa segura para “evitar a fragmentação da base aliada” durante a eleição.
Esse argumento seria reforçado pela avaliação de que o lançamento de candidaturas próprias de diferentes siglas hoje alinhadas ao governo –como PSDB, PSB e DEM– poderia beneficiar nomes do campo oposicionista, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Marina Silva (Rede).
Melindre
Há ainda uma outra preocupação entre os defensores dessa tese, que é a de não melindrar com rumores os potenciais candidatos que já existem no governo do interino, entre eles o chanceler José Serra (PSDB) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD).
Ambos têm função de proa na administração peemedebista e contam com a possibilidade de usar o desempenho no governo como cartão de visitas caso entrem no páreo pelo Planalto.
O desenho dá ainda mais força para a aproximação entre as cúpulas do PMDB e do PSD, conduzida por Temer e pelo ministro Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia), presidente do segundo partido.
Amigo de Serra há anos e fiador da filiação de Meirelles à sua legenda, Kassab terá de equilibrar os interesses de ambos até a próxima disputa nacional, quando PMDB e PSD querem se firmar, juntos, como o grupo político que vai furar a polarização entre PT e PSDB.
Pessoas próximas a Serra afirmam que o ministro tem clareza que, no caso de um sucesso extremo da gestão Temer, seria natural a pressão para que o interino se apresentasse à reeleição.
Em todo caso, como o interino já se comprometeu a não disputar em 2018, a ideia é que ele siga negando a iniciativa e seja mantido a uma distância segura da articulação, atribuindo a ofensiva a aliados e auxiliares.

Comentar

Seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*