Presidente interino da Câmara anulou votação do impeachment, mas presidente do Senado ignora

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O deputado Waldir Maranhão (PP-MA), que responde interinamente pela presidência Câmara dos Deputados aceitou na manhã de hoje (9), um recurso da Advocacia-Geral da União e anulou a votação do impeachment contra presidente Dilma, ocorrida no dia 17 de abril, que levou o processo à sua próxima fase, no Senado.
Com isso, o impeachment teria que voltar à Câmara e ser votado novamente pelos deputados.
Porém, enquanto governistas comemoravam e oposicionistas protestavam, o presidente do Senado, Renan Calheiros, decidiu ignorar a decisão de Maranhão e seguir normalmente com o rito de impeachment, que deve ser votado pelo Senado na próxima quarta-feira (11).
O peemedebista, porém, afirmou que a pauta só será votada depois que o Senado decidir sobre a cassação do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), que chegou à Casa antes do processo de impedimento.
renanemaranhãoAlegações para o aceite
O parecer de Waldir Maranhão está baseado em quatro pontos:
1. Os partidos não poderiam ter orientado o voto de suas bancadas porque cada deputado deveria se posicionar “de acordo com as suas convicções pessoais e livremente”.
2. Os deputados não poderiam ter expresso publicamente suas posições antes da votação, o que caracterizaria prejulgamento e cerceamento do direito de ampla defesa.
3. A defesa de Dilma deveria ter sido ouvida uma última vez antes da votação.
4. O resultado da votação deveria ter sido encaminhado ao Senado por resolução e não por ofício, como teria ocorrido.
O disse Dilma
A presidente recebeu a notícia durante um evento no Palácio do Planalto para anunciar a criação de universidades. Em meio a gritos da plateia de “Uh! É Maranhão” e “Fica querida!”, a presidente pediu cautela.
“Não sei as consequências, tenham cautela, porque vivemos uma conjuntura de manhas e artimanhas”, disse. “Temos que saber que temos pela frente uma disputa dura, cheia de dificuldades. Peço encarecidamente aos senhores parlamentares uma certa tranquilidade para lidar com isso”, afirmou Dilma.
A oposição
DEM, PMDB, PSDB, Rede e outros partidos criticaram a decisão, caracterizando-a como “essencialmente política”, “esdrúxula” e “irresponsável”. Representantes do DEM anunciaram que recorreriam ao STF contra Maranhão.
Movimentos sociais
Tanto movimentos pró quanto contra Dilma marcaram atos por todo o país em reação à decisão de Maranhão. Enquanto os governistas comemoraram a notícia e defenderam o pepistas, manifestantes que defendem o impeachment protestaram e pediram sua cassação.
Renan mantém rito
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou no final da tarde de hoje (9) em plenário sua decisão de ignorar o ato do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA. Renan classificou de “brincadeira com a democracia” a decisão de Maranhão, irritando apoiadores de Dilma.
O peemedebista afirmou porém, ameaçou adiar a votação o impeachment caso o Senado não vote a cassação do senador Delcídio do Amaral (sem partido – MS), que é anterior ao impedimento.
O que poderá acontece
Oposicionistas devem pedir ao tribunal que anule o parecer do presidente da Câmara. Já Maranhão e aliados de Dilma podem recorrer ao Supremo para contestar a decisão de Renan Calheiros.
Se esses últimos forem derrotados, a votação deve ocorrer na quarta-feira (11) ou depois, caso o Senado demore para votar a cassação de Delcídio.

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