Das passarelas para o Projac, Pablo Morais comenta o primeiro grande papel na TV

pablomoraisMorreu de medo na hora de aceitar o papel. Essa foi a reação do ator Pablo Morais, que interpreta o personagem Cícero, na primeira parte da novela “Velho Chico, de Benedito Ruy Barbosa, na Globo.
O goiano de 23 anos, que vivia uma carreira estável no mundo da moda e morava em Nova Iorque, decidiu voltar dos Estados Unidos para trabalhar em “Totalmente Demais”, novela das 18h, na mesma emissora. Porém, foi chamado às pressas para o papel do jagunço inconformado, que por não ter o amor de Tereza (Julia Dalavia), filha de seu Afrânio (Rodrigo Santoro), atenta contra a vida do rival Santo (Renato Góes).
Antes disso, Pablo só tinha experiência como ator de televisão por uma participação em “Sangue Bom”, de Maria Adelaide Amaral, e por um papel de vilão “Subúrbia”, de Paulo Lins, ambas na Globo. Mas com formação no universo circense, no balé clássico e no teatro, esse artista multi-talentoso, assim como seu personagem Cícero, não negou fogo. “Eu sou um ator, um funcionário da arte. O diretor (Luiz Fernando Carvalho) que pediu, não dei muita opinião, foi ‘aceita ou não aceita?’”, disse Morais, em entrevista exclusiva ao BEM VIVER, dias depois da exibição da cena do tiro, um dos pontos altos da novela até agora.
Concedida em meio a turbilhão de câmeras de celular, seguranças, convidados e público em geral, que se apinhava no espaço do colunista Júlio Ventilari no Super Bazar da Cris, no Centro de Convenções Vasco Vasques, a entrevista não demorou mais de dez minutos. Tempo suficiente, porém, pra que ator revelasse bem mais do que sua relação de amor à arte e à dramaturgia, por vezes ofuscada pela referência constante à consagrada carreira de modelo. Mas, com a permissão do clichê, Pablo Morais é mais que um rosto bonito na novela das 21h.
Amante da música e da literatura nordestina, o ator cita o mestre da interpretação Stanislawsky na inspiração para compor o personagem de Cícero, segundo ele, numa trama de universo “shakespeariano”. Além da construção do jagunço apaixonado, ele falou sobre a mudança repentina de uma novela para outra, da formação como ator e da visita a Manaus, para onde veio acompanhado da amiga, atriz e diretora Maria Pia, fundadora do grupo de teatro Arrepia, do Rio de Janeiro, ao qual Pablo é vinculado, a convite da revista Em Visão, em ação filantrópica com a Casa Vhida.
Por fim, a nova revelação da dramaturgia brasileira, que abdicou da carreira de sucesso na moda para viver um jagunço que temia fazer, também disse do que espera para a segunda fase de Cícero na novela. Agora, o jagunço é o carimbado Marcos Palmeiras, que tem o desafio de igualar ou superar a excelente atuação de Morais na pele do personagem. “Eu estou vendo que ele (Marcos Palmeiras) já copiou a mão na faca, o jeito de andar. Ele é muito gênio, né? Ele identificou o arquétipo (do personagem). Cícero é um grande desafio mesmo, pra mim e pra ele”, declarou.
Pablo, você tem uma experiência muita grande no mundo da moda e esse é seu primeiro papel grande na tevê. Como foi fazer esse personagem que é tão diferente do universo da moda?
Na verdade, antes de ser do mundo da moda, eu fiz circo, fiz balé clássico seis anos e tecido acrobático, então essa coisa da expressão
corporal me favoreceu. Como o personagem tem muita ação externa, mesmo com o texto, foi muito bom pra mim, porque eu consigo ter essa coisa da expressão corporal, que é a construção do personagem.
Era o que eu queria te perguntar também, de como foi a construção desse personagem.
Eu estudei esse conceito em Stanislawsky, mesmo sendo uma coisa mais shakespeariana, a coisa do Cícero, que gosta de Teresa, que gosta de Sandro, que é de uma família diferente… (…) A construção do personagem foi muito louca porque eu me baseei em cima de Teatro de Máscara, Stanilawski, e até no movimento de bichos também, que foram levados lá no Projac.
Acha que vai dar trabalho para o Marcos Palmeira?
(Risos) Eu estou vendo que ele já copiou a mão na faca, o jeito de andar… Ele é muito gênio, né? Ele identificou o arquétipo e deu prosseguimento. Cícero é um grande desafio mesmo, pra ele e pra mim.
Você é de Goiás. Como foi para fazer esse papel tão nordestino?
Eu tive aula de prosódia, e também gosto muito da obra, da música, da literatura do Norte, então, fiz uma coisa regional. Também gosto de viola, de música, então é muito internalizado um pouco em mim, mas eu busquei muito também, com as experiências que a gente teve.
Como foi essa saída de uma novela para outra?
Meu louco, porque não tem muita voz. Eu sou um ator, um funcionário da arte. O diretor (Luis Fernando Guimarães) que fez isso. Não dei muita opinião, foi ‘aceita ou não aceita’, eu falei Luiz (Henrique Rios, diretor de Totalmente Demais), então ele entendeu e foi isso, essa troca.
O personagem de Cícero realmente é genial. Você imaginou que ia fazê-lo tão bem?
(Pausa, dá um abraço sorridente no repórter antes de responder). Não, eu estava morrendo de medo. É perigoso fazer isso, né?, representar todos os filhos de Clemente, de jagunço, de Grotas, do mundo, então o cavalo, a vaquejada, amolar faca, o tiro, o rio, o gibão, a bota, o chapéu, tudo tem uma simbologia e precisa de uma atenção pra tudo, isso foi mais o desafio.
E o que espera da segunda fase com Marcos Palmeiras?
Espero que ele consiga um amor, porque ele sofre muito, e que consiga ir mais pelo aspecto da Doninha, que é mãe dele, que é mais mística, mais do bem, porque o Clemente tenha partido, ele acompanha o Cícero como uma sombra. Mas espero que ele entenda um pouco a vida, porque ele não tem a inteligência emocional que todo mundo tem, então espero que ele consiga se realizar no amor, no emocional e no racional.

Fonte: acritica.com.br

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